CINTRASEUPOVO

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

DESERTIFICAR PORTUGAL


Desertificação em Portugal

Portugal é um dos países europeus com maior risco de desertificação. Esse risco é praticamente nulo nas regiões acima do rio Tejo, mas abaixo do mesmo esse risco torna-se evidente. As províncias do Alentejo e Algarve sofrem uma grande pressão hidrográfica devido à falta de pluviosidade, prática agrícola excessiva (Alentejo), e demasiadas infraestruturas turísticas (Algarve).

Na província alentejana, para combater a falta de pluviosidade, foi construída a barragem do Alqueva (não foi a única razão para a sua construção), de modo a criar o maior lago artificial da Europa.

Há muito que se fala na desertificação de Lisboa e que é preciso estancar a sangria de habitantes da cidade. Pois muita gente tem abandonado a cidade “estranhos” seres que se fartou desta cidade e vai “fazer a sua vida para outro lado”. Uma oportunidade para desviarem os olhos dos números e atentarem nas causas da debandada. Uma oportunidade para refletirem, portanto. Se quiserem, claro.

Os motivos são muitos, que conduziram a um mais poderoso e decisivo: deixaram de gostar de viver em Lisboa. Por outro lado, pretendem ter filhos e não acham que Lisboa seja um bom sítio para educar os seus filhos.

Lisboa tornou-se uma cidade muito pouco amiga dos lisboetas (e dos não lisboetas).
O processo de descaracterização, de destruição de uma memória importante de Lisboa, continua imparável, sob a argumentação de que se trata de demolir prédios sem valor arquitetónico especial. A reconstrução de acordo com a traça original é a exceção nesta cidade. E o resultado está à vista.
Lisboa parece estar em obras desde o grande terramoto de 1755. Vejo outras cidades da Europa e não vejo este disparate de obras por todo o lado.

(A construção de novos prédios não pára em Lisboa. Coisa estranha: a cidade continua a perder muitos habitantes, mas vão sendo construídos cada vez mais prédios...)

As obras incomodam. Demoram demasiado tempo. São barulhentas. São, com muita frequência, feitas à balda  colocando em causa a segurança dos transeuntes. Depois de concluídas, por vezes os materiais, as areias, os estragos feitos, as restrições à passagem de pessoas permanecem muito tempo. Parece não haver ninguém para fiscalizar tudo isto.

Mas não são apenas as obras que tornam desagradável a vida na cidade. Em Lisboa, há muito tempo que o automóvel é rei e senhor da cidade. Em consequência, a urbe tem vindo a assistir a um processo contínuo de desumanização.
Em Lisboa, é dada prioridade ao estacionamento automóvel em detrimento da qualidade de vida dos habitantes da cidade.

Lisboa é uma cidade insegura. Não falo de insegurança relacionada com o crime. Falo do elevado risco de atropelamento que se verifica um pouco por toda a cidade. A começar nos atropelamentos nos próprios passeios (onde os automóveis, para estacionar, fazem manobras - sempre perigosas), passando pelos atropelamentos nas faixas de rodagem, de peões que não podem circular nos passeios ocupados, e a acabar nos atropelamentos em plenas passagens de peões. A própria câmara aumenta o risco de atropelamento em inúmeros locais, como este, onde autoriza ilegalmente o estacionamento automóvel a menos de cinco metros das passadeiras, criando novos problemas de segurança.

Lisboa é uma cidade suja. Os primeiros responsáveis são, naturalmente, os próprios lisboetas, que não primam pelo civismo. Chega a ser deprimente ver pessoas a atirar lixo para o chão perante a total indiferença da polícia.

E como este artigo não pretende, nem de perto nem de longe, ser um diagnóstico dos problemas da cidade de Lisboa (nem eu teria competência para o fazer), fico-me por aqui.
O problema da desertificação de Lisboa é grave. Lisboa tem assistido a uma razia da população activa. As estatísticas dizem-nos que a maior parte dos que ficaram em Lisboa já não fazem parte dos que trabalham. A cidade tem, por isso, cada vez menos receitas de impostos. Com menos receitas, os problemas de Lisboa agravam-se... Com a debandada, e uma vez que nenhum governo de Lisboa teve a coragem para impedir tudo isto que tem acontecido na  cidade, então aumenta o número de veículos a entrar diariamente na cidade e a qualidade de vida degrada-se ainda mais... Conseguirá a cidade sair deste círculo vicioso?
Quem tiver  a possibilidade de ir viver para um sítio melhor, por que razão haveria  de continuar a viver numa cidade que  despreza e marginaliza,  milhares de lisboetas?
Á muitos tempo que se deixou de ouvir os pregões dos lisboetas  e dos saloios , " outros tempos ", hoje  em lisboa  " Martin Moniz , São Jose, e toda a Mouraria só temos lojas em que os donos são de todas as étnias, menos portuguesa , é assim que a nossa cultura de  Lisboa deste povo bairrista se vai desertificar também.

Talvez valesse a pena reflectirem sobre tudo isto e tomarem decisões corajosas. Mas  politicos com   to....m...es , onde estão eles ?

Lisboa tem muitas coisas boas? Com certeza que sim. Lisboa tem "cantos" soberbos? Sem dúvida. Lisboa ainda é uma cidade muito bonita? Sim, é verdade. Mas o mau acaba de a matar.


Adeus, Lisboa. As melhoras.






quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

ENSINAR A NOSSA CULTURA


 ENSINAR A NOSSA CULTURA

Folclore é a ciência das tradições e usos populares, constituído pelos costumes e tradições populares transmitidos de geração em geração. Todos os povos possuem suas tradições, crendices e superstições, que se transmitem através de lendas, contos, provérbios, canções, danças, artesanato, jogos, religiosidade, brincadeiras infantis, mitos, idiomas e dialetos característicos, adivinhações, festas e outras atividades culturais que nasceram e se desenvolveram com o povo.

"Folclore não é apenas romarias e festas. É a história construída pelos anseios, aspirações e esperanças de um povo, é uma linguagem na qual se manifesta a unidade que mobiliza multidões, que busca a sua verdade na identificação da cidadania, preservando seu valores e mantendo vivas suas raízes através das gerações"

O termo folk-lore foi criado pelo antiquário inglês, William John Thoms, que nasceu em 1803 e morreu em 1885. em 22 de agosto de 1846, William, usando o pseudônimo de Ambrose Merton, publica um artigo com o título Folk-lore, na revista The Athenaeum, de Londres. Propunha o termo, como expressão técnica apropriada ao estudo das lendas, tradições e da literatura popular, tendo essa definição o significado de "a sabedoria do povo"
William John Thoms, como era antiquário, associou o folclore às antiguidades populares, e essa associação permaneceu, sob muitas formas, em diversos conceitos do folclore.
Folk quer dizer povo, nação família; Lore significa instrução, conhecimento, saber, portanto, Folk-lore ou Folclore quer dizer a ciência ou sabedoria popular.

A Cultura Popular é um magnífico tesouro que enobrece a alma do nosso país, encantando e dando lenitivo aos nossos corações. Ela abrange um elenco de manifestações que fazem parte do cotidiano do povo; um relicário de valores expressivos que vão se perpetuando através das gerações, e alimentando a memória viva da nação.

 O folclore é a maneira de agir, pensar e sentir de um povo ou grupo com as qualidades ou atributos que lhe são inerentes , seja qual for o lugar onde se situa o tempo e a cultura . Não é apenas o passado, a tradição, ele é vivo e está ligado à nossa vida de um jeito muito forte, por isso , é muito importante conhecê-lo.

O saber folclórico é o que aprendemos informalmente no mundo , por meio do convívio social, por via oral ou por imitação, ele é universal, embora aconteçam adaptações locais ou regionais, como consequências dos acréscimos da colectividade.

O  despertar e estimular o prazer pela cultura popular, valoriza as manifestações folclóricas , valorizando a diversidade cultural das várias regiões de Portugal.

O que se deveria fazer:

...resgatar, valorizar as manifestações da cultura popular Portuguesa.

...conhecer a importância do folclore para o paìs

...estimular as brincadeiras lúdicas com as crianças

...ampliar a linguagem oral

...favorecer a escrita

...desenvolver o gosto pela música, pela dança e por ouvir histórias.

...promover o interesse artístico

...desenvolver a coordenação motora e o equilibrio

...desenvolver o interesse pela pronuncia correcta e a compreensão das frases

...usar a expressão verbal, a memória e a criação de um personagem com uma tecnica teórica

...despertar a curiosidade e o interesse pela pesquisa, perceber o sentido e o significado das frases

...trabalhar com o folclore, ampliando o repertório sobre as lendas

...formação pessoal e social: socialização, respeito,valorização do outro, autonomia, iniciativa.

...ensinar cantigas, lendas, textos informativos,diferentes formas de cantar, contar histórias, arte, dramatização, etc.

Os desafios que apresento poderá ser um bom começo para não se perder a nossa cultura.

Temos que ensinar :

Atividades, Exercícios , Músicas,Vídeo Sobre o Folclore.

Divulgar o folclore nas escolas. O folclore não é uma coisa desvinculada do dia a dia do aluno desde que o professor esteja atento para o facto de que o folclore é origem de tudo que a cultura humana vem construindo e sofisticando através dos séculos.


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

DIVULGAR O QUE SABE


A cultura do nosso povo é para divulgar

Ensinar é algo de profundo e dinâmico onde a questão de identidade cultural que atinge a dimensão individual e a classe dos educandos, é essencial à "prática educativa progressista". Portanto, torna-se imprescindível "solidariedade social e política para se evitar um ensino elitista e autoritário como quem tem o exclusivo do "saber articulado". E  saliento, constantemente, que educar não é a mera transferência de conhecimentos, mas sim conscientização e testemunho de vida, senão não terá eficácia.
Igualmente, para todos, educar é como viver, exige a consciência do inacabado porque a "História em que me faço com os outros, é um tempo de possibilidades e não de determinismo". No entanto, tempo de possibilidades condicionadas pela herança do genético, social, cultural e histórico que faz dos homens e das mulheres seres responsáveis, sobretudo quando "a decência pode ser negada e a liberdade ofendida e recusada".
 "o educador que  'castra'  a curiosidade do educando em nome da eficácia da memorização mecânica do ensino dos conteúdos, tolhe a liberdade do educando, a sua capacidade de aventurar-se. Não forma, domestica". A autonomia, a dignidade e a identidade do educando tem de ser respeitada, caso contrário, o ensino tornar-se-á "inautêntico, palavreado vazio e inoperante". E isto só é possível tendo em conta os conhecimentos adquiridos de experiência feitos" pelas crianças e adultos antes de chegarem à escola.
 O homem e a mulher são os únicos seres capazes de aprender com alegria e esperança, na convicção de que a mudança é possível. Aprender é uma descoberta criadora, com abertura ao risco e a aventura do ser, pois ensinando se aprende e aprendendo se ensina. Neste sentido, afirma que qualquer iniciativa de alfabetização só toma dimensão humana quando se realiza a "expulsão do opressor de dentro do oprimido", como libertação da culpa (imposta) pelo "seu fracasso no mundo". Por outro lado, eu insisto na "especificidade humana" do ensino, enquanto competência profissional e generosidade pessoal, sem autoritarismos e arrogância. Só assim, digo eu, nascerá um clima de respeito mútuo e disciplina saudável entre "a autoridade docente e as liberdades de quem aprende,  reinventando o ser humano na aprendizagem de sua autonomia". Conseqüentemente, não se poderá separar "prática de teoria, autoridade de liberdade, ignorância de saber, respeito ao professor de respeito aos alunos, ensinar de aprender”.
Não pretendo ser melhor que ninguém, mas as pessoas que sabem alguma coisa deveriam ensinar e não guardar para si mesmo, " porque amanhã poderá ser tarde ", as pessoas que recolhem e fazem pesquizas deveriam divulga-las só assim poderá ensinar o que aprendeu, Deus  disse " não lhe dês o peixe ensina-o a pescar " mas lembro que já passaram 2000 anos temos nos tempos de hoje fazer as duas coisas , " dar o peixe e ensinar a pescar " e cada qual fará o melhor ao que aprendeu , e falando sobre a nossa cultura , se não ensinarmos agora e hoje amanhã não haverá nada nem ninguem para ensinar o que foi a nossa cultura porque uma geração que é a nossa não o quiz divulgar foi igoista ao ponto de esconder a nossa história.
jose vidal

terça-feira, 29 de novembro de 2011

PATRIMÓNIO DE PORTUGAL


Património Imaterial «está em perigo de extinção em Portugal»

«A classificação do Fado é uma grande vitória para Portugal pelo seu carácter identitário, não podendo, contudo, ignorar-se que representa uma cultura popular marcadamente urbana, que está de boa saúde e cuja salvaguarda está já assegurada pela proliferação de casas de fado e dos novos fadistas que abraçam a carreira», salientou, o especialista em património cultural imaterial e escreveu várias obras sobre este domínio.

No entanto «há um património cultural imaterial profundo, que provém das raízes do povo, dos seus mitos, crenças e rituais, que está em perigo de extinção em Portugal e poderá desaparecer, completamente, nos próximos 20 anos».

«Perderam-se já muitas peças do romanceiro e do cancioneiro, porque se extinguiram alguns trabalhos rurais, tais como segadas, desfolhadas, malhadas, lagaradas e tornageiras»

Perderam-se também, «muitos registos lendários associados aos lugares de memória e à toponímia, pelo abandono das aldeias e retirada dos idosos para lares de terceira idade».

Bem como algumas «orações populares, fórmulas de rezas, crenças e mezinhas, porque se vão extinguindo as práticas de cariz popular, especialmente os rituais associados à medicina popular».

a «tradição oral é o veículo natural de sobrevivência deste património» e, por isso, diz que é preciso desafiar as unidades museológicas a intervir mais activamente.

«Não apenas nos inventários, mas também na reposição de réplicas desses cenários, para que as novas gerações, no mínimo, entendam o que valem estas memórias para a nossa identidade como povo»
é «imperioso e urgente identificar e inventariar os tesouros vivos do património»

Porque será que eu sinto que os ranchos e grupos de folclore não conseguem manter estas reliquias em prática , devido ás pessoas serem ,orgulhosas , falsas consigo mesmo e não terem a humildade para aprender , inventam tudo e dizem que é folclore todos sabem tudo mas nada fazem para que a nossa cultura se esqueça de vez .


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

LAGAR DE AZEITE


Lagar de Azeite

 HISTORIAL
O primeiro registo do Lagar de Azeite tem a data de 1810, mantendo-se em funcionamento até 1941. É um testemunho fiel do fabrico de azeite sem recurso a máquinas, anterior a industrialização. A sua autenticidade e o seu estado de conservação fazem com que o Lagar de Varas do Fojo seja um exemplar raro na Península Ibérica.

A Oliveira é a árvore que produz o fruto de onde se extrai esse precioso líquido.
A azeitona segue as fases de um fruto normal, quer dizer:
A árvore floresce, nos meses de Maio e Junho.
Dessa flor nascem as azeitonas, minúsculas bagas verdes, que vão crescendo com o tempo, durante cinco/seis meses.
Nesse período a azeitona amadurece e toma a cor preta.
A colheita da azeitona, em Portugal, processa-se nos meses de Novembro e Dezembro.
É nesses meses que os Lagares de Azeite passam a funcionar.
A tecnologia está extinta, não só no saber fazer, como no saber dos conceitos técnicos para a sua execução, e muito menos na adequação das matérias-primas actualmente existentes no mercado.
O azeite é um produto alimentar, usado como tempero, produzido a partir da azeitona, fruto advindo das Em Portugal
O azeite foi um dos primeiros produtos exportados por Portugal.
Em Portugal, a referência à oliveira é muito antiga. O Código Visigótico, nas leis de protecção à agricultura, prescrevia a multa de cinco soldos para quem arrancasse oliveira alheia, pagando por outra árvore apenas três soldos.


Alguns autores afirmam que o maior desenvolvimento desta cultura se verifica nas províncias onde a reconquista chegou mais tardiamente. Os forais dos mouros forros de Lisboa, Almada, Palmela e Alcácer do Sal, dados por D. Afonso Henriques em 1170, e mais tarde o dos mouros do Algarve (1269), e no de Évora (1273), se referem expressamente a essa cultura de oliveira.


No que diz respeito à Beira Baixa só há uma menção à «plantação recente de oliveira num chão tapado, dentro da vila de Covilhã em 1359». Das tabelas medievais de portagem (direitos), podemos concluir quais os principais géneros do comércio local: sal, azeite, pão, vinho, animais vivos e peixe salgado ou fresco. Do séc. XIV há noticia de dois concelhos em que se cultivava a oliveira: Évora e Coimbra. Neste último o rei concede os mesmos privilégios que a Lisboa, isto é, «podiam carregar o azeite no rio e foz do Mondego. assim para fora do Reino como para o interior».

Na época dos Descobrimentos nos séc. XV e XVI, o azeite e o vinho continuam a fazer parte da lista dos produtos exportados. Como no séc. XIV, Coimbra, Évora e seus termos eram as regiões de maior produção no séc. XV. Em 1555 o consumo do azeite sofreu grande aumento, pois começou a ser utilizado com frequência na iluminação. Neste século vendia-se o produto dentro do reino e exportava-se com destino aos mercados do Norte da Europa e para o ultramar, em especial para a Índia. No tempo do domínio filipino o «mercado negro», o açambarcamento e especulação oneraram o produto; compreende-se assim a baixa na exportação, apesar de Manuel de Sousa Faria ter elogiado a sua qualidade e abundância, afirmando que a exportação continuava para a Flandres, Alemanha, Castela-a-Velha, Província de Leão, Galiza, Índia e Brasil.


No séc. XVIII Coimbra deixou de ser o principal centro produtor e o azeite de melhor qualidade foi o de Santarém. O monopólio de lagares, na posse dos donatários e dos mestrados das Ordens, foi causa de queixas várias na baixa de produção. Contudo, ainda no séc. XIX e, não obstante os processos de fabrico continuarem rudimentares, o azeite português foi premiado na Exposição de Paris de 1889.


FLAUTA


Flauta
Os mais antigos instrumentos existentes são apitos de uma só nota, feitos de ossos de rena (10.000 a.C.), e flautas de osso também muito antigas, com três ou mais orifícios (as flautas de cana são de mais fácil manufactura, mas de menor duração). Ambas foram tentativas bem sucedidas na imitação da natureza - o vento assobiando num tronco oco de uma árvore ou nos canaviais, o chamamento de um mocho.


A flauta, instrumento que, por mais elementar que seja a sua concepção, é formado por um tubo geralmente cilíndrico munido de uma «embocadura» rudimentar, numa das extremidades. Qualquer que seja o tipo de instrumento considerado, uma fina corrente de ar, produzida pelo sopro do executante, quebra-se contra o bordo talhado em bisel de um pequeno orifício e esta «onda de ar» comporta-se como uma lâmina vibrante, como uma espécie de palheta aérea, animada com um movimento periódico, solidário com a coluna de ar contida no tubo. A frequência é inversamente proporcional ao comprimento desta coluna de ar. O som da flauta depende essencialmente, por um lado, da natureza e da direcção da «onda de ar» e, por outro, do comprimento da «coluna de ar».

Distinguem-se duas grandes famílias de flautas: as «flautas de bisel» e as «flautas de sopro lateral» (flauta travessa ou transversa). As primeiras estão munidas dum delicado canal que forma a coluna de ar, de que o instrumentista (colocando o bisel entre os lábios como faria para um simples assobio) não consegue dominar a direcção e a qualidade. Na flauta travessa a onda de ar é inteiramente produzida pelos lábios do flautista que lhe imprime uma certa velocidade e a dirige contra o bordo de um orifício lateral. A posição do instrumento, que é forçoso conservar atravessado na boca, explica o qualificativo «transversa». Todos os instrumentos são perfurados com orifícios que os dedos tapam e destapam para modificar o comprimento da coluna de ar (portanto, a altura do som).
As origens de um e outro instrumento remontam à mais alta Antiguidade. Infelizmente, os mais antigos modelos que se descobriram (cemitério de Ur, cerca de 3.000 anos a.C. e jazidas magdalenenses, cerca de 10.000 a.C.) não têm embocaduras que por si só permitam determinar, com exactidão, a família à qual eles pertenciam. Pelo contrário, encontraram-se belos instrumen­tos, bem conservados, provenientes do ano 200 antes da nossa era. Da mesma época podemos observar representações de flautas travessas em baixos relevos indianos. É muito possível que a flauta travessa tenha sido, na Europa, um produto trazido do Oriente.




As duas espécies de instrumentos fizeram durante séculos carreiras paralelas, mas, desde a Idade Média até ao séc. XVIII, a flauta de bisel ou «flauta doce» era a mais divulgada. Construída de madeira ou de marfim, perfurada com 6 orifícios, depois com 8, constituía, na época clássica, uma família numerosa (até 9 membros). Cinco tipos de flauta de bisei subsistem ainda nos nossos dias, particularmente na Inglaterra onde os catálogos dos editores oferecem uma abundante literatura, antiga e moderna.
   

AGRICULTURA


Agricultura antiga

A agricultura antiga ou arcaica é aquela caracterizada pela utilização intensiva da força humana e animal nas plantações, é geralmente de subsistência e não usa métodos científicos de organização. Deve ser notado que esta é uma classificação grosseira, pois mesmo antes da Revolução Industrial já existiam vários graus de produtividade agrícola e vários métodos diferentes, uns mais e outros menos produtivos.
Antigamente, no tempo dos nossos avós, os agricultores lavravam a terra desde o amanhecer ao anoitecer. Tinham uma vida muito dura visto trabalharem muito! A não ajuda de máquinas ou de adubos e substâncias químicas não ajudavam na rapidez da produção dos alimentos e nem facilitava a vida ao agricultor.
A nossa alimentação era muito mais saudável, pois todos os produtos que consumiamos eram naturais e não eram prejudiciais à nossa saúde.
 Hoje em dia é muito frequente as pessoas associarem os agricultores à maquinização. A constante utilização de máquinas, adubos e substâncias químicas são actualmente uma grande ajuda para o agricultor que tem agora campos para tratar com muito maiores dimensões do que tinha antigamente.
A nossa alimentação é, actualmente, um pouco menos saudável pois com a ajuda de substâncias químicas os produtos crescem mais depressa mas são mais prejudiciais à nossa saúde!
Não podemos ter certezas concretas acerca do futuro, mas a nossa maior previsão para o futuro é que os agricultores irão ter tendência para desaparecer pois com cada vez mais maquinização talvez daqui a uns tempos não seja necessária a mão do homem para que a agricultura se desenvolva!
Agricultura é o conjunto de técnicas utilizadas para cultivar plantas com o objetivo de obter alimentos, fibras, energia, matéria-prima para roupas, construções, medicamentos, ferramentas, ou apenas para contemplação estética.

Carro de Bois com boi do Ramo Grande, tradicional dos Açores, Portugal.


A quem trabalha na agricultura chama-se agricultor.  Ou lavrador. aplica-se ao proprietário de terras rurais onde, normalmente, é praticada a agricultura, a pecuária ou ambos.
A ciência que estuda as características das plantas e dos solos para melhorar as técnicas agrícolas é a agronomia.

 A palavra "agricultura" vem do latim agricultūra, composta por ager (campo, território) e cultūra (cultivo), no sentido estrito de cultivo do solo.

Em Português, a palavra "agricultura" manteve este sentido estrito e refere-se exclusivamente ao cultivo dos campos, ou seja, relaciona-se à produção de vegetais  No entanto, em inglês, assim como em francês, a palavra "agriculture" indica de maneira mais genérica as atividades agrícolas tanto de cultivo dos campos quanto de criação de animais. Uma tradução mais próxima de "agriculture" seria, portanto, "agropecuária".


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

GAITA DE BEIÇOS E REALEJOS


Gaita de Beiços

A gaita de beiços, harmónica, ou harmónica de boca (também conhecida como realejo é um instrumento musical de sopro cujos sons são produzidos por um conjunto de palhetas livres em vibração.
A gaita possui na sua embocadura um conjunto de furos por onde o instrumentista sopra ou suga o ar. Devido ao seu pequeno tamanho, a gaita não possui caixa de ressonância. O tocador usa as mãos em concha para amplificar o som do instrumento e também para produzir efeitos, como variações de afinação e intensidade ou vibrato. Quando executada em conjunto com outros instrumentos, é comum que ela seja amplificada eletronicamente. A gaita é bastante usada no blues, rock and roll, jazz e música clássica. Também são muito comuns os conjuntos compostos apenas de gaitas, as chamadas Orquestras de Harmónicas, que normalmente tocam músicas tradicionais ou folclóricas.

A harmónica, também conhecida por flaita, gaita de beiços, gaita das vozes, realejo e piano da cavalariça. era o instrumento mais frequentemente usado para acompanhar os bailadores de fandango ribatejano

O realejo é um instrumento de sopro portátil, cabendo tipicamente num bolso.
A harmónica/gaita de beiços foi inventada na Alemanha.

História
A gaita teve sua origem em um antigo instrumento chinês, o sheng, que foi inventado há mais de cinco mil anos e que funciona pelo princípio de palhetas livres. Esta técnica de produção sonora gerou uma grande família de instrumentos acionados por foles ou bombas de ar, como o acordeão e a melódica. Em órgãos é comum que alguns tubos sejam flautados e outros utilizem palhetas livres para produzir sons com timbres diferenciados.

Em 1821 um relojoeiro alemão chamado Christian Ludwig Buschmann inventou um instrumento semelhante à gaita atual com 15 palhetas e 10 cm de comprimento, mas esse instrumento foi encarado como um brinquedo e não foi considerado adequado para a execução musical. Em 1857 um outro relojoeiro alemão, Matthias Hohner, fundou uma companhia e começou a fabricar as chamadas harpas de boca ou órgãos de boca com 10 furos. O instrumento passou a vender muito bem na Alemanha, França, Itália e nos Estados Unidos.

Na Europa a gaita se tornou um instrumento muito popular na música folclórica e surgiram bandas e orquestras especializadas neste instrumento. Nos Estados Unidos foi muito utilizada na música country. Com o surgimento do blues no início do século XX, a gaita chegou ao seu auge e daí garantiu a participação em outros gêneros musicais, como o jazz, folk music, rock and roll e até na música clássica.
Realejo
é um instrumento musical que toca uma música predefinida quando se gira uma manivela.
O realejo é uma espécie de órgão mecânico portátil que tem um ou vários foles, com um teclado.

Funciona por meio de uma manivela a accionar simultaneamente os foles e um cilindro dentado munido de pontas de bronze que abrem as válvulas dos tubos do órgão para a produção das diferentes notas.

Em algumas regiões , a  harmónica  é chamada  de realejo.

















FESTAS N. S. NATIVIDADE


Festas da N. Sra da Natividade
CAPELA DE N. S. NATIVIDADE  EM  MEM-MARTINS

As Festas da Nossa Sra da Natividade são o maior acontecimento cultural da Freguesia, antes mesmo da elevação de Algueirão - Mem Martins a Freguesia em 1961.
Segundo relato feito pelo Professor Joaquim Fontes em conferência feita a pedido da comissão de melhoramentos de iniciativa da Rinchoa (26 de Setembro de 1943) ele define as Festas da seguinte forma:

QUINTA DOS CHOUPOS
A que aqui se realiza - a da Nossa Sra da Natividade - é um acontecimento local de grande importância. Caiam-se as casas, asseia-se tudo e as raparigas estreiam fatos novos. Eles querem encorporar-se todos na procissão, aonde vão com a maior compostura. São quase todos festeiros. As oferendas de trigo, de azeite, de cêra e galinhas são frequentes. Os cargos têm grande pitoresco. Consistem estes num certo número de bolos feitos com farinha de trigo (um alqueire ou meio alqueire, conforme a promessa), açucar, limão, canela, e pinceladas por fora a gema de ôvo. A esses bolos dá-se o nome de fogaças. Há as redondas e elípticas, com os bordos multilobulados. Na sua face superior há um enfeite serpentifome. Esta figura ofidica representa vestígio de um culto pré-histórico, há muito perdido. O povo não sabe o que quer dizer aquele desenho.

CRUZEIRO  MEM - MARTINS
São as fogaças colocadas numa armação de madeira a que dão o nome de cepo. Este consta dum pau arredondado, mas de diâmetro sucessivamente maior de cima para baixo. A sua altura varia entre 0.8m e 1m. O todo assenta sobre uma base mais ou menos floreada. Aqueles têm diferentes alturas, conforme o tamanho das fogaças, que se prendem à haste vertical por um dos seus bordos, com uma fita. Sobre as rodelas de madeira colocam-se as de forma arredondada. O cepo é forrada de papel de seda, depois tudo é envolvido por largas fitas de seda, de cores variadas. Na extremidade superior espeta-se uma maçã e nesta, em forma de pendão ou bandeira o registo de Nossa Sra da Natividade. Quatro arcos de flores de papel e envolvem a maçã. O cargo tem direito a uma medalha especial.

ESCOLA  PRIMÁRIA  EM  MEM -MARTINS

Na manhã do primeiro domingo de Setembro, a música percorre as ruas de Mem Martins, apresenta cumprimentos ao juiz e faz a recolha dos 'cargos' que são conduzidos em procissão à capela no Rossio da Fonte. Então uma mulher transporta-os à cabeça, acompanhada por um homem, todos asseados, fazendo brilhar ao sol as medalhas dos festeiros, ricas às vezes em ornamentação.

Depois os 'cargos' são benzidos e leiloados à porta da capela as respectivas fogaças. Eu não gosto destes bolos mas há quem os aprecie muito. Atingem às vezes bem bom dinheiro.

ESTAÇÃO DO COMBOIO  DE  ALGUEIRÃO  1950

É na romaria e nos bailes que se arranja namoro. Nas Mercês, é no muro do derrete, nas outras elas põe-se a um lado e eles no outro encostados ao varapau. Ele lá vê a que lhe agrada e parece que lhe será correspondido. Pisca-lhe o olho, a que ela corresponde com um aceno de cabeça. Assim o diz essa cantiga':

' (...) Rapaz de barrete verde
Precisa de cara partida
Por baixo da sobrancelha
Pisca o olho a rapariga (...) '

CARRILHÕES DE PORTUGAL


Carrilhão

Um carrilhão é um instrumento musical de percussão; é formado por um teclado e por um conjunto de sinos de tamanhos variados, controlados pelo teclado. Os carrilhões são normalmente alojados em torres de igrejas ou conventos e são dos maiores instrumentos do mundo
Os carrilhões apareceram no século XV na Flandres quando os construtores de sinos conseguiram aperfeiçoar a sua arte de modo a conseguirem que cada sino reproduzisse um tom exacto. A maior concentração de carrilhões antigos situa-se na Bélgica, Holanda e nas regiões do norte da França, Alemanha e Polónia, onde eram colocados como símbolos de orgulho das cidades mais ricas e como demonstração do seu status.

Como cada nota é produzida por um único sino, a amplitude musical do carrilhão é determinada pelo número de sinos que este possui. Com menos de 23 sinos (2 oitavas), o instrumento não é considerado um verdadeiro carrilhão. (chime) Em média, os carrilhões têm 47 sinos (4/5 oitavas), enquanto os maiores possuem 77 sinos (6 oitavas)
Sentado numa cabine por baixo do carrilhão, o carrilhonista pressiona as teclas com a mão protegida ou com o pulso. As teclas accionam alavancas e fios que ligam directamente aos badalos dos sinos; tal como no piano, o carrilhonista pode fazer variar a intensidade da nota de acordo com a força aplicada na pressão da respectiva tecla. Em conjunto com as teclas manuais, os sinos maiores, possuem também pedais que oferecem a possibilidade das notas graves, serem tocadas de duas maneiras diferentes.

Outro tipo de carrilhão é o Carrilhão Sinfónico ou de Orquestra. Este carrilhões são formados por tubos ocos de diferentes tamanhos, soando diferentes alturas de notas. Os carrilhões são dispostos no sentido vertical, pendurados de maneira gradual, de acordo com os seus tamanhos. A batida no carrilhão é feita através de uma baqueta, batendo esta baqueta na extremidade superior do carrilhão. Os sons destes carrilhões se assemelham muito a sinos de igrejas. Usado na orquestra para produzir efeitos especiais.
Em Portugal existem vários carrilhões. Dois no Palácio Nacional de Mafra, outro na torre da Igreja dos Clérigos no Porto, outro na torre da Sé Catedral de Leiria e em Alverca na Igreja da Paróquia de S. Pedro de Alverca.

 Sé de Braga
O primeiro carrilhão da Sé de Braga foi inaugurado no século XVII. Ao longo dos séculos, os Arcebispos de Braga acrescentaram novos sinos, tornando o carrilhão da Sé de Braga num dos maiores de Portugal. Em 1996 substituiriam-se 23 sinos. Os sinos retirados ao longo do tempo da Sé de Braga e das Igrejas de Braga estão reunidos no Tesouro Museu da Sé Catedral, que contabiliza mais de 200 sinos.
Mafra
Os carrilhões do Convento de Mafra são uns dos mais antigos da Europa. Foram mandados construir em 1730 em Antuérpia na Bélgica por D. João V que por ter achado o preço barato, mandou construir dois. Cada carrilhão é composto por 57 sinos, pesando o maior cerca de 10 mil quilos e o conjunto, mais de 200 toneladas.


Porto
O Carrilhão da Torre dos Clérigos é composto por 49 sinos. O carrilhão da Igreja Matriz de Rio Tinto é constituído por 17 sinos, foi construído pela Fundição de Sinos de Rio Tinto e inaugurado em 1947. Contudo, e por possuir menos do que 17 sinos não poderá ser considerado um carrilhão verdadeiro.
Leiria
O carrilhão da Sé de Leiria foi inaugurado no dia 14 de Novembro de 2004. Juntamente com este carrilhão foi adquirida uma consola (teclado) que produz o som electronicamente e que serve os alunos da primeira escola de carrilhão de Portugal, nas instalações do Seminário Diocesano de Leiria, a funcionar desde de Dezembro de 2004. É professor o já afamado carrilhionista de Mafra, Abel Chaves.

Alverca
Ao contrário do Carrilhão de Mafra, o Carrilhão dos Pastorinhos em Alverca é o mais novo do mundo. Foi inaugurado em 1 de Maio de 2005, tendo sido começado a construir em 2002. É composto por 69 sinos, sendo o segundo maior da Europa, mas prevê-se que venha a ter 72. Foi seu mentor e coordenador o Eng. Alberto Elias. Ana Elias e Sara Elias foram as primeiras carrilhanistas residentes deste carrilhão.